Como dito em outra conversa, existem grupos de machos, também conhecidos como "pirocas", que surpreendem a sociedade moderna com divisões que parecem vir de outra era. Eu fiz questão de utilizar a metonímia referente à genital masculina, porque acredito que no meio em que vivo, mais precisamente em Caicó, a dignidade das pessoas é resumida apenas a sua sexualidade. Não me refiro ao reconhecimento da identidade sexual do sujeito, mas de forma simplória, um rapaz por essas bandas se satisfaz e se afirma em sua masculinidade ao transar muito com as meninas descartáveis, enquanto namora com uma moça feminina e recatada que reprova comportamentos promíscuos de outras garotas. Os "pirocas" praguejam as descartáveis, e olham para a "vulgaridade" dessas meninas com um sentimento de desprezo. Falo nesses termos, portanto, para me situar melhor nessa realidade que é de desvalorização total da mulher, no caso apresentado.
Para esses meninos não basta transar. Na verdade, o sexo em si não tem valor algum se não puder ser compartilhado com os colegas e conhecidos na boa e aconchegante mesa de bar. Então, mesmo para os "bem comidos" que não comem ninguém, o que está em jogo é a aparência.
Pensem comigo: a busca por estereótipos é uma tendência acomodada de um mundo que cada dia mais se contenta com a superficialidade. Por exemplo, as pessoas nas festas de forró andam identificando suas caças pelas bebidas consumidas. Se o rapaz está com o whisky na mesa já basta. Se a menina rebola até o chão, ou melhor, se ela anda com roupas curtas, ela é o prato da noite.
Meu discurso parece moralista, mas eu não sou contra a liberdade sexual. O problema é que eu vejo nesses jovens o contrário. Eles não relaxam quando se trara de suas performances, e as suas cabeças sempre pendem para esse lugar . Na minha concepção, liberdade sexual consiste na inclusão do sexo de maneira aberta e franca, dentro de uma relação interpessoal. Hoje em dia, soa até piegas acrescentar na frase anterior "entre homens e mulheres". O sexo tem que ser tratado como mais um elemento de uma relação entre pessoas, mas o que observo é que esses moços preferem tratar quem embarca nessa etapa com eles como alguém que é digna de ser chamada de um buraco, ou melhor, tapa-buraco.
Como mulher eu vejo essa cultura com preocupação porque a dignidade humana fica comprometida. Essa "coisificação" das pessoas faz com que o homem deixe de ser um fim em si mesmo e passe a ser apenas o objeto de prazer do outro.
Concluo esse texto pedindo participação dos leitores. O que eu disse pode parecer de outro mundo, mas não é. Os jovens, até mesmo universitários, fazem essa divisão, tratam essa questão de maneira banalizada e coloca a mulher numa situação complicada, porque as que ousam usufruir da suposta liberdade são apontadas na rua, e como a nova versão de Maria Madalena são apedrejadas moralmente.
Por Anamixê
Belo texto! Infelizmente todos somos vítimas dessa realidade. O fantástico mundo de Caicó ilustra bem os valores (valores?) que a juventude prega hoje em dia aqui no Brasil. Séculos de luta pelo humanismo são jogados no mato para dar vez ao "eumesmismo". Tudo e todos são potenciais meios para atender seus fins. O legal eh passar a perna no outro, ser o típico "malandro". Então, acho q há hj uma "coisificação" não só da mulher, mas de toda a humanidade. O preconceito vem de todos os lados. Já vi manifestações públicas contra nordestinos, negros, índios e mulheres. E assim, infelizmente, caminha a humanidade...
ResponderExcluirPois é, esse é o problema. Levantar essa questão não passa de vitimismo feminista para alguns. Talvez eu não tenha gabarito para abordar o tema com a seriedade que ele merece, mas eu destaco aqui alguns dados que apontam concretamente que mulheres não se vitimizam. Elas são vítimas de violência: A cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem no Brasil.
ResponderExcluirA violência física é apenas uma das formas de agressão. Estamos abordando aqui a violência psíquica e moral, que é difícil de ser combatida porque sempre vira piada.
Esse blog não tem a intenção de estimular uma guerra dos sexos. Esse blog tem a intenção de combater qualquer espécie de violência contra o ser humano, seja ela física, psíquica ou verbal.
Eu considero que tratar um grupo de mulheres como descartáveis é uma agressão à dignidade da mulher e não vem ao caso se ela é uma pseudo-moderninha ou não.
Concordo com o seu comentário final em parte, porque não devemos endossar comportamentos anti éticos.
Pitú, vc distorce o feminismo como sendo um grupo que idealiza criar uma divisão entre sexos. Porém, quem definiu os papeis dos homens e mulheres foi o machismo. Os rapazes dos blogs que vc indicou inclusive são vítimas do sexismo que eles mesmos andam pregando em seus posts, tendo em vista que são considerados homens fracassados por não conseguirem angariar o maior número de parceiras, coisa que se espera dos homens na nossa realidade social.
ResponderExcluirO feminismo é um movimento que visa a igualdade e não a identidade entre gêneros. Reconhecemos que seres humanos tem particularidades e estas devem ser respeitadas. Nunca foi desejo das mulheres se colocarem como homens, mas sim, terem seu espaço garantido!
O feminismo defende que homens que fogem aos padrões machistas não sejam estigmatizados ou considerados fracos por não corresponderem a essas expectativas sociais.
O feminismo também defende que mulheres não podem ser consideradas lixos por não corresponderem as mesmas expectativas sociais.
Somos pessoas distintas e não podemos ser limitados a papeis sociais impostos por um sistema preconceituoso.
Pense nisso.
Em primeiro lugar gostei do post,sofrido,mas escrito compaixam.
ResponderExcluirem segundo lugar pra que vc quer defender quem não merece,elas não tem nem voz ativa,nem mesmo se manifeztão,são usaveis,ingnoravais e o melhor descartaveis.
O perfil delas, é o melhor em geral muito bonitas,saudaveis,não são inteligentes e não ligam para propria educação,mas estão bem vestidas com o minimo de roupa possivel,certo que cada uma tem seus requerimentos para se consumir,mas é a vida existem pros e contras,ta quem me conhece sabe que sou pobre e feio mais tenho o meio jeito de explorar outro pontos que não citei,enfim,meu ponto é para que defender isso,se agora elas so querem aproveitar sua beleza e juventude e no futuro,quando velhas,rezam para estarem casadas com algum homem rico ou rezam para morrem logo.
ahhh lembrando me refiro as coisas, ja as mulheres que conguistamos ou que nos conquistaram e que as adoramos todos os dias de nossa vida,aquela mulher que quando fala é tão bom quanto se a mesma cantasse,bem,acho que nem preciso falar...
obs:sou dislecxo,então perdoa ae qual erro ortografico.
Creio que seja impossível, ou quase, extinguir tal "cultura" (machismo) em sua totalidade. Mas o fato é simples: é "coisificado" (eu diria alienado) quem quer, aqueles que se recusam para tal, creio não serem muito bem vistos pela grande maioria (ou não), mas não vejo necessidade de sair levantando bandeira de que é um não-"coisificado"(a). PORÉM, para as mentes mais fracas, isso é tão contagioso como gripe, bocejo e afins. Tá, em parte, levantar bandeiras é necessário, com bom senso é claro.
ResponderExcluirQuanto ao vitimismo, pergunto: QUEM não se aproveitou de tal recurso psicológico pelo menos uma vez na vida? Não adianta afirmar ser uma exceção, fazemos isso, por vezes, inconscientemente. Estatística alguma vai provar quem se faz mais de vítima. OS DOIS lados usam desse recurso com a mesma frequência e sim, eu prefiro acreditar nisso.
Obs: Costumo parecer um pouco agressivo em alguns dos meus comentários. Se isso lhe aconteceu, favor não levar para o lado pessoal.
Aliás, belo blog.
Claro que sempre é aquele velho pensamento “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.”, mas especificamente no caso deste dito cujo, seria melhor dizer “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu gostaria de fazer.” Porque é exatamente isso que alguns gostariam de fazer... pegar todo mundo, trepar com tudo e todos, cheio de cana nas fuça.
ResponderExcluirMas, aí e que está o problema... nem todos podem! E é aí que surge esse desprezo exacerbado contra aquelas que podem, sem falar que nem essas “os psdeudos-bem-comidos” pegam.
Ou seja, tudo é uma questão de terapia, psicólogos ou, nos casos mais graves, psiquiatras. É tudo complexo, baixa auto-estima, traumas de infâncias e outros tantos transtornos mentais. Por que quem realmente come, bem comido, tá sorrindo...relax. Feliz da vida e não xingando Deus e o mundo porque não come nada nem ninguém.
Pt. Saudações.
Lucas, não é uma questão de estratégia de convencimento e nem protecionismo falar que a mulher é vítima. Eu não tenho nenhuma intenção de imacular as mulheres! A minha visão acolhe posicionamento contrário.
ResponderExcluirAs mulheres sofrem justamente por essa simbologia cristã, que relaciona o nosso caráter a um comportamento casto, ser tão forte. Você sabe que as pessoas que não se portam de tal forma são repelidas com violência.
O sistema agride a todos porque, obviamente, ele só beneficia ele próprio, e aqui eu o personifico, assim como fez Hobbes com o seu Leviatã. Sabemos que para quem o afronta, os fardos são maiores.
Sabemos também que o Sistema desde os primórdios rege-se sob a perspectiva do homem e reconhece a mulher como o outro, tanto é que séries como "Afinal, o que pensam as mulheres" surgem aos montes, como se fossemos seres misteriosos. Mas a mulher não é mistério para ela própria, somos ocultas apenas do ponto de vista do homem. E ter algo a esconder, para a sociedade moderna, não é visto com bons olhos. Porque hoje, preza-se pela "transparência", e associa-se essa característica à honestidade. Quem tem o que esconder no mundo dos BBBs e da exposição, quem não se faz compreender é visto com desconfiança. Como o mundo é macho, assim como seu criador, somos encaradas com receio, principalmente quando saímos do lugar comum, do puritanismo e da feminilidade e educação esperadas. Quando saimos desse papel somos encaradas como vulgares, como coisas menores, como perigosas.
Eu entendo que como as mulheres participam desse processo de repressão contra elas próprias, fica difícil encará-las como vitimas. Mas se somos o outro lado da moeda social, se somos o ser dominado, somos vítimas sim, ainda que participativas de todo esse processo.