quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Música Potiguar Acústica


Vídeo Clipe - Os Opostos 
Compositores: Ana Paula/ Paulo Victor



           Nada melhor do que música para despertar um blog adormecido! Pois bem, eu tive a felicidade de ser convidada a participar, recentemente, de um projeto pra lá de bacana de um pessoal de Natal/RN chamado Som Sem Plugs.    Idealizado por  5 jovens produtores audiovisuais, o site busca difundir a música potiguar através da confecção de clipes mostrando os trabalhos desses artistas em formato acústico.

Se quiser conhecer mais sobre essa ideia, e conferir o som de outros artistas potiguares, acesse www.somsemplugs.com.br   

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Viagem à Fenda do Biquíni


Confesso que ainda tenho meu hobbie dos tempos de criança de assistir desenho. Gosto tanto de desenho que uso a sky pra gravar os episódios que eu não posso assistir. Não sou retardada mental. Todo mundo tem alguma coisa da qual gosta mesmo sendo fútil, inútil e besta, não é assim? Pois então. Alguns gostam de restart, outros de forró, mas eu gosto de desenhos animados. Enfim.
Quando eu estava no meu momento bocozisse total vendo um capítulo de Bob Esponja, comecei a viajar legal e tirei algumas conclusões sobre os temas discutidos em seus episódios. São eles: paternidade, trabalho, responsabilidade, amizade, etc. Temas sérios , que estão todos nem tão implícitos assim quando Bob Esponja tem que cuidar de um bebê, ou quando teve que ganhar sua independência saindo da casa dos pais (e pra isso ele tem que trabalhar como cozinheiro numa lanchonete que explora seu talento de fazer os melhores sanduíches), ou ainda quando demonstra um grande afeto e cuidado com seus amigos, por mais que eles sejam patéticos (Patrick), não lhe queiram bem (Lula Molusco) ou sejam diferentes dos demais (Sandy é um esquilo).
Além disso, gosto do fato dele ser uma esponja do mar, por mais que ele tenha formato de bucha de lavar louça. E Patrick é uma estrela do mar, não tem nada que ter um cérebro mesmo, e o Lula Molusco é o mais intelectal dos personagens, talvez esteja relacionado com o sistema nervoso das lulas ser bem desenvolvido (ouvi falar numa aula de biologia da vida). Eles pensaram no fato de sandy ser um esquilo, e fizeram uma casa pra ela como um aquario invertido. Adorei! Mas o melhor é a parte trash quando eles saem da água, em que são representados por bucha, uma estrela do mar normal, um esquilo de pelúcia, e uma foto de uma lula.
Porém algumas coisas me aborrecem na história. Não deve ter abacaxi assim bem amarelinho no meio do oceano, sem apodrecer nem nada. E NÃO EXISTE PRAIA NO FUNDO DO MAR! Afinal de contas eles já estão debaixo d'água né. Fora isso tá tudo legal ã

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Capitalismo: o domínio de um sistema.


O sistema é uma entidade paranormal, que paira sobre nossa cabeça, se apodera do nosso subconsciente e nos faz pensar que somos livres. Doce ilusão. Enquanto nós pensamos que estamos desfrutando de nosso sagrado livre-arbítrio, lá está ele, rindo de nossa cara, enquanto movimenta suas marionetes. Mas não temos somente um sistema, temos vários, cada qual com suas próprias regras e leis, tendo em comum somente a vontade de controlar as massas. Mas quem é que criou esses tais sistemas? Alguns procuram na história, outros procuram na sociedade e ainda há os que procuram na fisiologia. A verdade é que, mesmo não sabendo quem danado criou o monstro, o prejudicado somos nós!

O sistema capitalista, por exemplo, é um ganancioso safado! Nos faz crer que a felicidade vem do patrimônio, do dinheiro, da dominação dos mais fracos, da compra de tudo, etc, etc, etc. O capitalismo começa a impor suas regras desde cedo, ao nascermos. Esse enganador sorrateiro não é tolo! Sabe que, em se tratando de humanidade, a oposição declarada pode se tornar uma inconveniente dor de cabeça. A domesticação acontece de forma demorada e sistêmica. O sistema, através de seus súditos fiéis, mina aos poucos seu potencial seguidor. Dessa forma, o ser nem se toca que foi, na verdade, domesticado. E o pior é que, hoje em dia, o sistema se mantém sem esforço. Uma vez tendo dado o primeiro passo e saído da inércia, ele continua em movimento retilíneo uniforme, mandando no pedaço, até que algum movimento contrário tenha força suficiente para pará-lo.

Mas como se livrar dele? Sinceramente, não sei. Se soubesse, não estaria aqui, publicando este texto na net enquanto bebo Coca-Cola com Doritos, deitado em minha confortável cama, enquanto assisto meu programa favorito na Sky, numa TV de plasma de 50 polegadas. Dizem que há loucos por aí que andam rasgando dinheiro. Será que estes já não encontraram a resposta?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A humanidade, a “Louva-a-deusagem” e a sociedade das minhocas

Calma, não se assustem com o título (pelo menos ainda não). Chegaremos à sociedade das minhocas, mas primeiramente vamos começar do “normal”, ou seja, da nossa sociedade (se é que podemos chamá-la de normal). Como todos sabem, o macho de nossa espécie tem mais força física que a fêmea, e provavelmente, por isso, dominou o mundo num início de civilização. Logicamente a legitimação de tal sistema foi mudando conforme o tempo, apesar de sua forma de manutenção ser sempre o medo, em suas mais variadas formas. Partindo dessa premissa, de dominação do mais forte, e aplicando-a a outras espécies, imaginando que estas chegariam ao patamar de racionais e culturais como o homem, iniciaremos a nossa experiência mental, estilo Einstein, ou as Viagens de Gulliver ou, quem sabe, estilo “eu mesmo”.

E se os louva-a-deus fossem seres racionais e pudessem se desenvolver culturalmente? Bem, essa espécie, assim como alguns aracnídeos, tem uma forma peculiar de fazer sexo. Como se sabe, as fêmeas, nesse caso, logo após a cópula, e sem esperar o tradicional “foi bom pra você?”, assassinam os seus machos. Nesse caso, muito provavelmente, teríamos uma completa dominação das fêmeas no início dessa civilização. As louva-a-deusas comandariam os seus machos, tratando-os como simples reprodutores, e por assim serem, teriam que estar sempre à disponibilidade das fêmeas. Os machos, dominados pelo medo, aceitariam sua condição de inferioridade. As fêmeas seriam as únicas permitidas a ter conhecimento, pois acreditariam piamente que são superiores mesmo, e inventariam as mais variadas formas de legitimar tal pensamento. Um dia talvez, indignadas por haver desigualdade entre suas semelhantes, criassem o humanismo (nesse caso, louva-a-deusismo), mas como forma de proteção a si mesma, do gênero feminino, e ainda assim pensando no macho como subalterno, ou o outro mais fraco a quem não foi dada a benção da superioridade. Talvez, a partir daí, parassem de assassinar seus machos após o coito, mas ainda assim com total controle do sistema. Algum dia, depois de terem o mínimo direito ao conhecimento, os louva-a-deus, tendo a noção desse humanismo criado pelas fêmeas (nesse caso, repito, louva-a-deusismo) se tocariam de que não são inferiores, e de que poderiam ter os mesmos direitos das fêmeas. Iriam reivindicar salários iguais, direito ao voto e de serem votados, oportunidades nas mais diversas áreas do conhecimento, etc. Daí ponha muita luta, muita morte e muito suor, além de centenas ou quem sabe milhares de anos até que o machismo conseguisse superar o sistema feminista opressor, e enfim se conseguisse vislumbrar igualdade entre os sexos. Ah sim, é bom lembrar que, neste caso, o feminismo seria o machismo de hoje, pregando a desigualdade natural entre os sexos, enquanto que o machismo seria equivalente ao feminismo, pregando igualdade plena.

Mas e se, ao invés de louva-a-deus, as minhocas fossem seres racionais e pudessem se desenvolver culturalmente? Aí sim seria interessante. Sabemos que as minhocas são hermafroditas, ou seja, toda a minhoca é macho e fêmea, podendo escolher, durante sua vida, hora ser macho e hora ser fêmea. Não haveria dominação de gênero algum, pois isso não existe. No início não haveria violência entre minhocas por seu sexo, já que elas não possuem. Ninguém pensaria em ser superior por ter nascido com sexo Y ou X e, nesse caso, não haveria esta forma de opressão. O conhecimento se estenderia a todos e, dessa maneira, a criação do humanismo (nesse caso, minhoquismo) muito provavelmente se daria de forma muita mais rápida que no nosso sistema (se duas cabeças pensam mais que uma, 6 bilhões pensam mais que 3 bilhões). Como não haveria separação de gênero, assim que fosse criado, o minhoquismo, muito provavelmente, se estenderia não só a gênero X ou Y, mas a todas as minhocas. Dessa forma, ao contrário da raça humana e dos louva-a-deus, muito provavelmente teríamos um sistema racional e igualitário em questão de pouco tempo, sem piadinhas, sem coisificação e sem as demais figuras do machismo. Nesse mundo não haveria assuntos de homens e assuntos de mulheres, e dessa forma playboy e capricho seriam uma revista só.

Agora pronto, terminada a viagem, está na hora de descarregar as malas e de pensar sobre o que viu. Se alguém discorda de algum ponto de minha imaginação, crie a sua e me chame pra subir a bordo também. Não tive aqui a intenção de legitimar o sistema, nem de dizer que “tem que ser assim”. Só tentei compreender porque estamos aqui, dessa forma, e para ilustrar o esquema, apliquei-o a outras possíveis sociedades. Depois de imaginar outros mundos, não creio que estamos assim tão longe de alcançarmos o patamar de minhocas, afinal, um certo Freud aí já disse, no início do século passado, que o mundo era “bi”. Vai que, daqui a alguns poucos anos, essa afirmação não vira verdade?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tradição e violência: Um tiro certeiro na individualização humana

              
            Resolvi iniciar uma nova conversa na varanda, porque se nos pots anteriores lavamos um bocado de roupa suja, já está mais do que na hora de colocar todas essas peças encardidas para secar. Entretanto, mesmo com muito vento fresco, ainda considero a atmosfera pesada. Talvez o tema  Tradição possa ser responsável pelo meu desconforto, posto que os discursos  tradicionais podem ser tão violentos quanto as idéias misóginas. Se a Tradição fosse gente, seria aquele tipo de pessoa cabeça dura, que se serve do seu autoritarismo para impor seus valores. Na verdade, transmitir as práticas e valores das gerações mais remotas para as mais atuais, acorrentando cristãos e pagãos a uma inexorável obrigação moral com o lugar e a condição em que nasceram é o grande lema da Tradição. 
          Esta antiquada senhora, para os padrões da modernidade, aplica seus métodos de conservação cultural e se nega a compreender outras crenças,  outros humanos que não aqueles que a respeitam. Inclusive, a Tradição desertou todos os filhos que não seguiram suas ordens e deixou para eles apenas o estigma da rejeição. Para completar, ainda botou para fora de sua casa qualquer conversa imprópria para suas diretrizes reacionárias. 
          O poder para a tradição ocidental é exercido através de controle, como uma relação de mando e obediência. Por isso, há a utilização de métodos violentos e repressivos, a fim de assegurar a obediência das pessoas que se opõem, suprimindo também os conflitos de interesses dos grupos sociais dominados*. 
               




O Homem elefante
                  
                  Coincidentemente, dias atrás, assisti um filme que desenha com traços pontuais como a antiga sociedade se porta diante da diversidade, aberração social mais perigosa para a anacrônica vontade tradicional. O desvio do comportamento padrão chega a causar calafrios no corpo estamental da tradição e, para a conservação de  sua saúde mental, ela dá a quem ousa nascer diferente dos seus planos o castigo da intolerância. 
            O filme escolhido para introduzir o tema em questão é "O Homem elefante" de David Lynch. A película rodada em 1980 conta a história de John Merrick, um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana, portador de uma doença grave que acarretou a deformação quase completa de seu corpo. Devido seu aspecto anômalo, John Merrick era exibido nos circos de variedade como um monstro,  recebendo dos seus algozes tratamento igualmente desumano. Se alimentava apenas de batatas, era seguidamente espancado e apresentado como "a versão mais degradante do ser humano", causando repulsa em todos que encaravam aquele corpo humano 90% deformado. Sua vida muda quando um médico, Frederick Treves (Anthony Hopkins), o descobre e o leva para um hospital. Lá Merrick se liberta emocionalmente e intelectualmente, além de se mostrar uma pessoa sensível, conseguindo aos poucos recuperar sua dignidade**. 
          No filme em pauta, acompanhamos a história de um homem deformado que tem sua condição humana negada inclusive por ele próprio. O moço de 21 anos se reconhece como uma criatura inferior, indigna até mesmo para reivindicar sua integridade física e psíquica. A sua compreensão de si mesmo muda quando lhe é dada a oportunidade de receber tratamento médico num hospital, momento em que finalmente divide a sua existência com outras pessoas. 
          Porém, essa acolhida foi suficiente para fazer a sociedade dita moderna,  imediatamente, vestir as regras da tradição. Não era possível que uma criatura considerada débil e monstruosa recebesse os mesmos cuidados e dividisse morada com outros humanos normais. Era tão perigosa tal acolhida, que a solução encontrada não foi outra senão a violência.  
         A Tradição cuidou em se impor e mostrar o seu poder, definindo quem manda e quem obedece, já que, as sociedades tradicionais estão organizadas segundo o princípio da hierarquia e partem da totalidade (sociedade) para a demarcação das partes (sujeitos). Para essas leis morais, o homem elefante, como era chamado, devia sujeição a qualquer criatura, até mesmo as outras que experimentavam a exclusão assim como ele. Por isso, a classe social mais rejeitada se sentiu no direito de violentá-lo, trancá-lo em gaiolas junto com "outros bichos". 
              


     A nossa sociedade foi construída a partir de generalizações comportamentais definidas por leis morais e religiosas. Mesmo com a valorização do indivíduo no mundo moderno, o choque dos valores sociais com essa individualização permanecem. Quanto mais o indivíduo é sensível, respondendo aos fatores externos na proporção de sua personalidade e lucidez, mais é sofrido viver as regras de uma sociedade considerada psicologicamente cruel e desumana e voltada para o horror e a violência contra o ser humano. Quem se choca com a estrutura social, quem se apresenta com um pouco de unicidade a mais do que é permitido é marginalizado***. 
           Para esses marginais sociais se afirmarem e garantirem seu espaço como seres também importantes e dotados de poder, sobram algumas alternativas: a violência, exteriorização do poder, contra quem é possível dominar, ou seja, aquele considerado hierarquicamente mais fraco; ou a loucura, para confrontar todo o resto do mundo com uma arbitrária imoralidade.




* www.scielo.br/pdf/ln/n61/a07n61.pdf - Artigo do Prof. Renato M. Perissinotto: HANNAH ARENDT, PODER E A CRÍTICA DA “TRADIÇÃO”.


** http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Homem_Elefante


*** Vídeo do Dr. Jacob Pinheiro Goldberg para o programa Saia Justa - http://jacobpinheirogoldberg.blogspot.com/ - Pode ser baixado na seção Links

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Misoginia: dos blogs para a Universidade - Caso Geisy Arruda

                Antes de mudar de assunto aqui no blog, resolvi registrar um ultimo exemplo de misoginia. Dias atrás encontrei um vídeo no youtube, onde o Dr. Jacob Pinheiro Goldberg* comenta sobre o badalado episódio ocorrido na Uniban em que uma de suas alunas, a estudante Geisy Arruda, foi xingada nos corredores da universidade por usar um microvestido rosa. À época do tumulto, a Uniban decidiu expulsar a jovem, mas recuou após a repercussão do caso. No anúncio da expulsão, a universidade afirmou que "no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos dos alunos". Inclusive, na defesa processual, a Uniban alegou não ter causado qualquer dano à Geisy. Para a faculdade, foi a ex-aluna quem causou danos à empresa e, além disso, teria "arquitetado e executado um plano para adquirir notoriedade e conseguir vantagens".**
           O tumulto aconteceu em outubro do ano passado, porém, o fato foi vivenciado dentro de um ambiente acadêmico, e se não me engano, as opiniões ficaram divididas. Uma boa parcela das pessoas que opinaram na época, seja em programas televisivos, seja em posts na net, atribuíram culpa à estudante, seguindo a mesma linha argumentativa da universidade Uniban. Isso nos faz concluir que a misoginia encontra espaço  em todos os ambientes sociais. 


Primeiro, segue abaixo uma matéria que contém cenas do ataque misogino:



Finalmente, a análise do Dr. Jacob Pinheiro Goldberg sobre o episódio, classificando-o como misógino, e alertando que esse fato não é isolado:




CONCLUSÃO DO CASO   NA JUSTIÇA              

             Em 30 de setembro de 2010, a 9ª Vara Cível de São Bernardo do Campo/SP condenou a Uniban a pagar indenização de R$ 40 mil por danos morais a Geisy Arruda. 


* Dr. Jacob Pinheiro Goldberg é Doutor em psicologia (Universidade Mackenzie) psicólogo (CRP 3522) advogado (OABSP 10304) assistente-social (CRESS 04225), escritor. (informações extraídas do site: http://www.jacobpinheirogoldberg.com.br/


              
             

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Misóginos na net: Machões que escondem atrás do ódio o medo do abandono

             O papo no banheiro estava muito bom, mas, meus amigos, ainda tenho que lavar muita roupa suja e preparar uma banana social, a lá Tom Zé, para o movimento misógino que anda perambulando livremente pela net!
Para aclarar a importância de varrer essa sujeira para fora de nossas cabeças, vamos ao significado do termo em questão: Misógino é um vocábulo de origem grega "misogyne" = miso (odiar) e gyne (mulher), designado para qualificar quem tem ódio à mulher, quem objetiva expurgá-la da sociedade ao tratá-la como abjeta, indigna.
        Misoginia carrega em suas nove letrinhas uma pesada munição, disparada dentro de um discurso cheio de agressividade, caracterizado, principalmente, pela difusão da violência contra a mulher. Os sujeitos além de acreditarem na inferioridade do sexo feminino, ainda sugerem a discriminação e agressão como forma legítima de conter e manter a mulher sob controle. Eles acreditam que essa é a maneira mais eficaz de pôr as moças no seu devido lugar. 
               Pois bem, encontrei na net blogs que reproduzem exatamente esse tipo de crença. Com o conteúdo voltado para relacionamentos, esses espaços tem como objetivo ensinar seus leitores a encarar as mulheres como "homens de verdade". 
                 Para ilustrar, usarei os posts do blog "O clube da real" como exemplo.
Em um de seus posts, o clube da real aconselha os seus leitores a manter a mulher isolada de suas amizades, já que, para eles, essas reuniões representam uma ameaça para o exercício do controle do homem sobre a mulher na relação:

"Esteja sempre na defensiva, mulheres costumam ser invejosas, não podem ver a felicidade alheia, e principalmente se estiverem encalhadas vão fazer de tudo para ver suas ´´miguxas queridas´´ solteiras também. Então deixe de ser idiota e comece a pouco a pouco cortar estes relacionamentos paralelos com o seu, não deixe sua namorada dormir na casa das amigas, se tu for um macho de verdade ela tem que ir dormir é contigo, e não com outra, até por que tu sabe se ela vai mesmo dormir na casa de outra piranha?..." 
"... trate as vacas das amigas da sua namorada bem, mais com indiferença , e se lembre sempre que tu é o melhor parceiro de sua namorada, que é tu que ela tem que escutar, e não meia dúzia de piranhas". 


Em outro post, o clube da real chama as mães solteiras de vadias, e consideram a independência das mulheres como uma ameaça: 


"Estava até agora pouco discutindo com um monte de vadias mães solteiras e 'Manginas Cuzões'.  Veja mulheres como ameaças sempre, se você a ver como uma ameaça brutal a nossa soberania (quem manda no mundo ainda são Homens porra) você vai se ligar dos perigos que te rondam. Mulheres são ótimas para trabalho domestico e criar de seus filhos, mais para trabalhar fora são uma ameaça para o mundo.


Por fim, os moços atribuem a burrice como uma característica natural das mulheres, sempre se referindo as pessoas do sexo feminino como piranhas e vadias: 


"Nos meus textos desconsidere as barangas, pois o cumulo da falta de vergonha na cara feminina seria se a mulher alem de gorda, feia e naturalmente burra, se acha-se gostosa a ponto de querer nos fuder..."
"...Enquanto essas piranhas passam a faculdade inteira engravidando, trepando, bebendo igual umas rãs siberianas, e sendo enrrabadas de tudo quanto é maneira, você tem que se focar na sua carreira..." 
"...essas vadias serão chutadas pelos machos alpha, então seu babaca, tu te pode comer aquela patricinha nojenta que te chutou na faculdade, agora se tu inventar de casar com ela tu merece uma Surra de Pau. Mulher quando passa dos 30 é igual a jogador depois dos 30, vai dar o ultimo gás para arrumar uma grana e ter uma aposentadoria razoável ". 
               
           A terapeuta Sônia Nemi, acredita que o ambiente familiar é a principal causa para a formação dessa concepção misógina: "o misógino é filho de uma relação conturbada onde aprendeu, observando seus pais, que a única maneira de controlar a mulher é oprimindo-a. Ao lado disso, ele pode ter sentido que sua mãe não poderia existir sem ele, já que seu pai a maltratava; ou ainda, ele pode ter tido uma mãe que o oprimiu ou rejeitou, ao lado de um pai passivo.Qualquer que tenha sido sua história, o misógino está na fase adulta “atuando” a sua dor de “criança” ferida,buscando desesperadamente ser amado ainda que de uma forma equivocada".   
   
                 
COMO AGE UM MISÓGINO NOS RELACIONAMENTOS? 

Rita Maria Brudniewski Granato, publicou no  site:
http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=18146 uma série de características gerais que ajudam a identificar o misógino dentro de um relacionamento: 

"Se você tem um relacionamento em que:
• Seu parceiro assume o direito de controlar sua vida
• Você renunciou a atividades ou a pessoas importantes em sua vida
• Ele menospreza suas opiniões, sentimentos e realizações
• Ele grita, ameaça ou se retira para um silêncio furioso, quando você o desagrada
• Você “pisa em ovos”, ensaiando o que dirá a fim de não irritá-lo
• Ele a deixa atordoada ao passar do charme para a raiva de forma inesperada
• Você se sente frequentemente confusa, inadequada ou desequilibrada com ele
• Ele é extremamente possessivo e ciumento
• Ele a culpa por tudo o que está  errado no relacionamento
Se acontecer várias dessas situações em seu relacionamento, de acordo com a Dra. Susan Forward, você está envolvida com um MISÓGINO. 

          O comportamento estende-se a intimidação, ameaça óbvia a ataques mais sutis e disfarçados, sob a forma de constantes afrontas ou críticas erosivas. Esse homem assume o controle ao esmagar a mulher. E se recusa a assumir qualquer responsabilidade pela maneira como seus ataques faziam a parceira se sentir, em vez disso culpa-a por todo e qualquer incidente desagradável". (2)

              Além do Blog "Clube da Real", outros tantos como "O perdedor mais foda do mundo" e o "blog do doutrinador", estimulam a misoginia, com posts regados de agressividade. 
            Mas não se enganem, esses blogueiros machões  que publicam em seus posts todo esse ódio à mulher, simplesmente, o fazem como mecanismo defesa. Na verdade,  o medo da mulher e de ser abandonado por ela é a principal causa da misoginia: "O medo é tanto da própria mulher quanto também dela o abandonar, pois está dependente desta assim como esteve da sua mãe. Aliás, o misógino transfere para o relacionamento todo o sentimento que possuía pela figura materna. O pavor é tanto, que decide dominar e controlar a todo custo tanto a mulher quanto a relação. Só assim terá tranqüilidade de que não será abandonado". (3) - (Sandy Santiago - Misógino: uma relação perigosa) 

          A misoginia traz duras conseqüências psicológicas para as mulheres, que terminam por abandonar-se e achar que a violência do misógino é justificável, já que elas passam a culpar-se por todos os incidentes desagradáveis que acontecem no decorrer da relação. É preciso que nós mulheres demos um basta nesse complexo de culpa e de inferioridade que ronda nossa psique. Para isso, devemos rechaçar qualquer violência contra a nossa condição humana. Não    é mais cabível, nos dias de hoje, que a dignidade da mulher seja violada por esses blogs com conteúdo por vezes criminoso.  Não é mais aceitável que nós recebamos o papel de saco de pancada de um bando de marmanjos covardes.
            
 Para saber mais sobre esse tema: 
(1)http://www.sonianemi.com/ (No botão artigos - relações difíceis) 

sábado, 20 de novembro de 2010

O bolso da calça da moça

               A calça na moça é resultado de ideais grandiosos conquistados no passado e que parecem ser ofuscados pelas vitrines escandalosas e promoções imperdíveis. Ela nasceu para vestir trabalhadores, e vejam só. Acomodados do mundo inteiro recorrem a essa vestimenta na casualidade da rotina, da luta ou da balada. Mas não falemos da calça. Falemos do bolso, do guardador de coisas que não guarda nada, mas não é dispensado do serviço por não desempenhar tal função. A moça não tem bolso que sustente a avareza do mundo, ou a sua própria. O bolso da calça é só o mundo da luxúria, que abriga o salientador de lábios ou o evitador de filhos. O mundo não seria mundo sem os bolsos das calças das moças.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Às mulheres, o banheiro

                  
                 
                 Desde que espelhos foram colocados nos banheiros públicos existe uma curiosidade até pueril que paira na cabeça dos homens: O que contece naquele espaço feito apenas para servir de suporte de necessidades fisiológicas? Os rapazes acreditam que no banheiro feminino as mulheres fazem muito mais do que xixi. Sim, garotos curiosos, vocês estao chegando lá! Mulheres não usariam o banheiro para suprir necessidades tão primitivas. Na verdade, as donzelas criaram uma espécie de irmandade secreta e a sede escolhida foi justamente o toilet, porque já que a intenção é falar em sujeiras, que seja bem pertinho da privada. Assim, os segredos são jogados descarga abaixo pra não manchar de bosta a reputação de seu ninguém. 
            Sim, nós somos crueis, voluntária ou involuntariamente. Faz parte da nossa estrutura de serpente, que longe de ser membro da anatomia feminina, faz parte de nossa psique! Bendita humanidade que nos deu a honra desse título! E como diria a grande Rita Lee, estamos nesse patamar: Nem freiras, nem putas, apenas mulheres que se reunem em banheiros públicos imprensados e experimentam o gostinho da "liberdade"!


domingo, 7 de novembro de 2010

O discurso político dos "pingos nos is"

          "Meu amigos e minhas amigas, mostrem a cara de vez! Vocês já sabem que por essas bandas suburbanas tanto faz! No final das contas, gente que frequenta as áreas contagiosas têm um rosto só e dos desfigurados eis o pior! 
O diabo quando criou gente como vocês não teve nem a indecência de pôr um acabamento nas beiradas da cabeça, por isso, ficou uma coisa com forma de nada, coisa enrugada e repugnante, ainda por cima, sem a menor educação! Onde já se viu, enfrentar as dificuldades com essa fala primata, ferina e tão errada que chega a comer o meu juízo. Fechem logo essas bocas petulantes antes que eu faça a vontade de Deus e meta bala no meio das suas fuças indignas pra aniquilar do mundo essas risadas desdentadas!
Vocês são pobres fadados a infelicidade porque nunca vai ser feliz quem não experimenta a estética de um sorriso que tranca a goela abaixo com os dentes brancos e esconde a feiura de um interior sem glamour atrás da lingua afiada. Ora, criaturas, essa boca limpa é quem cria a felicidade, que é sentimento oposto à feiura e a falta de dentadura!
Ou vocês aceitam essa chapa e votam em mim pra  tirar-lhes dessa miséria, ou se mantenham fantasmas com essa alma estuprada pela sua própria imagem, cada vez que vocês se olham no espelho. Figuras sem prumo e de coluna torta de tanto carregar a tristeza da vida nos ombros. Eu sei, eu sei muito bem que a luta lhes ofereceu dignidade, lhes chamou para o combate, começando por quebrar a cara do espelho. Mas isso aí não existe sem a risada que lhes ofereço, já expliquei lá atrás que sem a goela trancada não se pode ser levado a sério. 
Vocês sabem que eu não vim nessas terras que ninguém conhece para apresenta-la ao mundo, até porque suas vidas só podem ser vividas aqui embaixo. Vocês já aprenderam até a andar acocados para não perturbar a paisagem e isso é muito solidário da vossa parte! Por isso que nas minhas propostas o assistencialismo governamental vai acabar! Criaturas como vocês, miseráveis, não vão se adaptar quando começarem a conviver com essa tal de dignidade. Eu soube que ela não aceita nem insultos. Ora veja! Vocês iriam gostar que as outras pessoas lhes deixassem em paz por conta da Dignidade?  
        Eu vou avisar porque quero muito bem a condição que vocês se encontram. Dignidade enche o peito de ar, enche os olhos de água e a boca de argumentos! Dignidade enche a cabeça de questionamentos, de indignação! A dignidade vai criar problemas com teus patrões! Aceitem o meu conselho e continuem do jeito que estão, porque pior só vai ficar se vocês resolverem cavar um lugar no mundo com a ajuda dessa tal de dignidade". 

Por Anamixê

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Peça do Destino

Esclarecimentos: O texto que segue é um conto que escrevi ainda esse ano. Vou aproveitar esse novo espaço para posta-lo, afinal, não custa nada além da coragem. Boa leitura! 
    
            No dia em que as pessoas mais acharam graça da vida, uma peça foi pregada pelo Destino. Maroto que só ele, este sabido escolheu um ser humano qualquer e o transportou para a Selva de Pedras, localizada do outro lado do Atlântico. Era selva feita de areia pedregosa no chão, de ar rude e de oxigênio pesado. As águas nesse lugar não davam sinal de malemolência e as cores das nuvens paralisadas, eram de um cinza desconfortável, nada parecido com os algodões doce que desenhavam a imaginação dos homens na grande tela de fundo azul chamada céu.
            Na selva de pedras nem o coração funcionava direito. Parecia que ia congelar de vez, a sangue frio, sem dar tempo do Homem Comum sentir outra coisa senão  frustração. O músculo pulsante estava cada vez mais conectado aos ossos trêmulos e aos caprichos mesquinhos de uma garganta seca, que só iria falar na presença de um gole d'água, para não se comprometer ainda mais descrevendo o que se sucedera por aqueles dias. As pernas estavam frouxas e a cabeça perdida não acreditava no que os olhos viam.
            Para reparar os danos que a Selva de Pedra havia causado ao seu coração, o Homem Comum achou melhor furar os seus olhos com cacos de vidro catados numa paisagem morta qualquer. Assim, ele conseguiu evitar maiores constrangimentos para o resto do seu corpo e quem sabe até poderia convencer algum outro sujeito de que a Selva de Pedra tinha lhe feito todo esse mal. Como o Homem Comum tinha um tato ruim, e a pele espinhenta, passou a imaginar que tocava novamente as coisas do seu velho mundo do outro lado do Atlântico.
            O chão pedregoso lembrava o asfalto velho que guiava sua cidadezinha às grandes metrópoles. O ar carregado remetia seus pensamentos para sua família, pois de forma parecida, sufocava os seus pulmões como tortura, e ao mesmo tempo, era vital para sua sobrevivência. As nuvens cinza foram apagadas de sua mente porque eram semelhantes demais a sua personalidade vil e obscura.
            Após se situar na sua nova morada, o Homem Comum, entrou em estado de curiosidade e por conta disso, ainda não tinha se dado conta de que estava com fome. Mas esse imprevisto ele resolveu com um pedaço de graveto, que com seu péssimo paladar captou ser um biscoito. Assim, conseguiu saciar seu desejo de pôr alguma coisa na boca.
            Cego, mudo e fatigado diante de uma selva assustadora, fria e calculista como seus melhores planos de vida, o Homem Comum seguiu analisando uma maneira de escapar de tamanha enrascada, e alguns passos depois, teve a brilhante idéia de procurar o Destino, seu algoz,  para entender porque fora jogado num lugar tão vazio e indiferente. Pensou que se fosse mais suave, talvez, o Homem Comum conseguisse se tornar rei da Selva de Pedra, mas enfrentar algo tão insensível e dissimulado como ele próprio, era um desafio por demais desgastante, além do mais, fazia algumas décadas que o Homem Comum estava acometido pela preguiça.
            Mesmo com todos os sentidos agora confusos e até percebendo alguma sensação engraçada que ainda não poderia ser chamada de sentimento, o homem subiu um monte que julgou ser uma escada rolante no sentido inverso, já que quanto mais o sujeito subia em sua velocidade insuficiente, mais descia escalada abaixo e se estatelava no chão raivoso, que o arranhara tantas vezes que sua pele espinhenta perdeu os espinhos, um por um. Agora era um ser destituído de sua arma mais fatal: O abraço, que ele costumava usar nos meios sociais, machucando os trouxas que acreditavam que por baixo daquela pele havia afeto e não espinhos.  Agora teria de pensar em outra forma de apunhalar pelas costas. Mas isso seria assunto para ser visto depois que ele saísse dali e recuperasse o seu mundo. 
            O Destino, mestre em mudar a vida do ser humano, não é como o Homem Comum pensa. É muito mais difícil de lidar do que o próprio Tempo e autoritário demais para querer dar satisfação de sua vida a estranhos, mesmo que a vida em questão seja a do Homem Comum.
Todos sabem que o Destino não costuma mudar de idéia e que tem como sua brincadeira favorita a roleta russa. Mas, usa sempre a munição completa em suas pistolas, para não ter perigo dele perder para ninguém. Afirmo isso porque soube que ele nunca começa jogando.
 O Destino não costuma fazer outra coisa senão brincar com suas próprias regras. Não foi criado parar ser justo porque fora muito mimado sempre. Sabia que o Homem Comum pensava em lhe procurar para ter uma conversa séria, e estava até gostando da idéia se esta fosse se concretizar. Mas o Destino já estava certo do que iria acontecer: O Homem Comum desistiria de fugir da Selva de Pedra por amor a ela. Por descobrir que estava cansado demais de pregar peças nos outros da sua espécie e por já estar gostando desse jogo de sedução com um lugar mais áspero e insensível que ele próprio.
A Selva de Pedra o seduzira, e por essa paixão avassaladora nem o próprio Destino esperava. Já sabia muito bem no que isso ia terminar, não porque ele previa o futuro, mas por seu vasto conhecimento sobre o coração humano.
O Destino me confidenciou o futuro do Homem Comum enquanto bebíamos vinho:
- Essa história vai acabar com o Homem Comum, cego, desarmado, insano e mais cedo ou mais tarde, morto. A Selva de Pedra o fará rastejar por suas terras sem o menos sentimento de culpa, e quando o Homem Comum se tornar um obsessivo previsível, a Selva de Pedra fará rolar de cima de um monte qualquer uma rocha, que despedaçará o resto do coração do Homem Comum. A essa altura de delírio, esse pobre sujeito agradecerá a Selva de Pedra, por ter dado a ele a honra de morrer em seus braços.


Fim.


20 de julho de 2010

A coisificação da mulher

        Como dito em outra conversa, existem grupos de machos, também conhecidos como "pirocas", que surpreendem a sociedade moderna com divisões que parecem vir de outra era. Eu fiz questão de utilizar a metonímia  referente à genital masculina, porque acredito que no meio em que vivo, mais precisamente em Caicó, a dignidade das pessoas é resumida apenas a sua sexualidade. Não me refiro ao reconhecimento da identidade sexual do sujeito, mas de forma simplória, um rapaz por essas bandas se satisfaz e se afirma em sua masculinidade ao transar muito com as meninas descartáveis, enquanto namora com uma moça feminina e recatada que reprova comportamentos promíscuos de outras garotas. Os "pirocas" praguejam as descartáveis, e olham para a "vulgaridade" dessas meninas com um sentimento de desprezo. Falo nesses termos, portanto, para me situar melhor nessa realidade que é de desvalorização total da mulher, no caso apresentado.
               Para esses meninos não basta transar. Na verdade, o sexo em si não tem valor algum se não puder ser compartilhado com os colegas e conhecidos na boa e aconchegante mesa de bar. Então, mesmo para os "bem comidos"  que não comem ninguém, o que está em jogo é a aparência. 
               Pensem comigo: a busca por estereótipos é uma tendência acomodada de um mundo que cada dia mais se contenta com a superficialidade. Por exemplo, as pessoas nas festas de forró andam identificando suas caças pelas bebidas consumidas. Se o rapaz está com o whisky na mesa já basta. Se a menina rebola até o chão, ou melhor, se ela anda com roupas curtas, ela é o prato da noite. 
             Meu discurso parece moralista, mas eu não sou contra a liberdade sexual. O problema é que eu vejo nesses jovens o contrário. Eles não relaxam quando se trara de suas performances, e as suas cabeças sempre pendem para esse lugar . Na minha concepção, liberdade sexual consiste na inclusão do sexo de maneira aberta e franca, dentro de uma relação interpessoal. Hoje em dia, soa até piegas acrescentar na frase anterior "entre homens e mulheres". O sexo tem que ser tratado como mais um elemento de uma relação entre pessoas, mas o que observo é que esses moços preferem tratar quem embarca nessa etapa com eles como alguém que é digna de ser chamada de um buraco, ou melhor, tapa-buraco.   
                Como mulher eu vejo essa cultura com preocupação porque a dignidade humana fica comprometida. Essa "coisificação" das pessoas faz com que o homem deixe de ser um fim em si mesmo e passe a ser apenas o objeto de prazer do outro.
             Concluo esse texto pedindo participação dos leitores. O que eu disse pode parecer de outro mundo, mas não é. Os jovens, até mesmo universitários, fazem essa divisão, tratam essa questão de maneira banalizada e coloca a mulher numa situação complicada, porque as que ousam usufruir da suposta liberdade são apontadas na rua, e como a nova versão de Maria Madalena são apedrejadas moralmente. 
                   
Por Anamixê
                  

José Dirceu no Roda Viva

          Leitores, acho que vale a pena assistir a entrevista do programa Roda Viva dessa semana (01/11/2010) com o Ex-Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu.  O programa foi apresentado por Marília Gabriela e teve como entrevistadores: Augusto Nunes, Paulo Moreira Leite, Guilherme Fiuza, Sergio Lirio.
      












      
         Eis aqui uma aula de despreparo e "tendenciosismo" da nossa imprensa. Segundo Luis Nassif, a sabatina poderia ser classificada como  Bulling no  jornalismo político, tamanha falta de cerimônia dos jornalistas ao promover essa espécie de linchamento, não dando oportunidade do entrevistado concluir qualquer raciocínio.
       O Roda Viva se transformou em algo como uma Santa inquisição Midiática que no mais alto grau de sua ignorância, acredita que apenas suas verdades são a base de existência e de sustentação de qualquer fato. Porém, aqui, é a nossa inteligência que é submetida à torturas, tendo em vista as análises jornalísticas expressas nesse grande circo. Apreciem e divirtam-se! 

Por Anamixê

Pincelando questões do convívio caicoense

POR QUE O BLOG?


      Diante da revolução interativa vivenciada pelas gerações passadas e consolidada no início do século XXI, a infovia tornou-se o "meio de transporte" mais democrático do mundo globalizado, atingindo dia após dia um número maior de usuários. A interatividade proporcionada por essa via alternativa, cria um novo grupo de consumidores de informação, pois sob essa nova perspectiva, o receptor passa a também expressar algum nível de participação, de troca de ações e de controle sobre acontecimentos.
       O blog foi apresentado como uma opção comunicativa, conquistando mais adeptos graças a sua estrutura de uso simples, não requerendo conhecimentos avançados na linguagem html e podendo ser atualizado diariamente, de forma datada com registros  de situações diárias de quem o escreve. 
    Atraída por essa oportunidade única de desenvolver o aspecto cognitivo através do processo de natureza dialógica proporcionado pelo blog, esse espaço foi aberto. A intenção nada mais é do que acompanhar de perto a interatividade que somente a infovia cibernética permite.
   As eleições no ano de 2010 tiveram, como novidade, a participação considerável da mais nova imprensa popular: A internet. As redes sociais foram inclusive decisivas para a construção da vitória da presidenta Dilma Roussef. 
     Esse fato foi o principal impulso para a publicação do blog Imprensoras.  Acreditamos que a democracia encontra vida quando a população decide participar e formar seus próprios conceitos a partir do que lhes é apresentado.  
          
QUEM SOMOS NÓS?
      Antes de escrever qualquer tolice, faço o favor de me apresentar para meus possíveis e improváveis leitores. 
       Sou uma jovem de 21 anos que por azar ou por sorte carrega o sotaque seridoense na fala e o juízo frouxo na veia. A cabeça dura de miolo mole fazem parte da minha arvore genealógica, pois sou uma mistura de cobreira com curraisnovense que por coincidência tem origens lá da Quixaba. Isso significa que meu pai e minha mãe, por ironia do destino, são parentes, mas, essa constatação, como qualquer outra coisa que eu venha a fazer nesse texto de apresentação, não tem relevância para a proposta real desse espaço. 
       Eu sou estudante de Direito pela UFRN - Campus de Caicó, e por isso mesmo, enfrento uma rotina universitária. Todos sabemos que a Academia recebe estudantes com bagagens ideológicas e morais diversas e que, o principal objetivo da existência de uma única estrutura pra hospedar diversos cursos deve ser a criação de um microssistema social que reproduz a diversidade do grande corpo social.  
     Eu carrego impressões bem definidas sobre o sistema ao qual participo e contribuo. Tenho a oportunidade de acompanhar os acontecimentos que presencio com um olhar crítico,ou seja, avaliativo. Sempre tive uma atenção especial às manifestações sexistas recorrentes, inclusive no espaço acadêmico.               Me classifico como aquela menina "chata" que não admite piadas, não admite deboches ou qualquer discurso que coloque as mulheres naquelas posições costumeiras, figurativa e literalmente, sexuais. Imaginem que visito rodas de conversa onde os rapazes, no conforto de uma mesa de bar, disparam absurdos dignos desse século. São assertivas que desarmam qualquer tentativa de desconstrução das preconcepções machistas, porque aparentemente o preconceito contra a mulher foi banido da nossa sociedade. A explicação dada pelos jovens para o desconforto das mulheres com a persistência dos gracejos maldosos é "falta de macho". A propósito, tudo acaba em peito, bunda e macho quando o assunto  mulher é posto no debate. As pessoas mais criteriosas ainda acrescentam a importância de um cabelo bonito e o sorriso maroto de anuência a posição de submissão da mulher. 
       As impressões sobre essas rodas de cachaça são as mais incomodas possíveis porque para esses sujeitos as mulheres que externam qualquer careta de indignação não passam de "mal comidas". Na verdade, tudo não passa de estética e de sexo na cabeça dos "bem comidos". Uma "piroca", segundo eles, é a solução para lembrar às mulheres que elas se relacionam afetivamente com as outras pessoas. Como o pressuposto para a interação fosse o silêncio e o conformismo. 
        Guardaremos esse tema, porém, para ser debatido em post específico. Por hora é importante despirocar essa conversa trouxa e fálica com um ponto final. 
       Deixamos nossos animados leitores com mais uma informação crucial sobre quem vos fala: Sou uma compositora que arranha no violão e solta o gogó para cantar e para defender convicções que não são poucas, tendo em vista que sou uma moça feminista que divide a sala de aula, as ruas e a internet com essas "pirocas bem comidas" ambulantes.

Por Anamixê